Sistema para clube de tiro: o que a lei exige controlar
Atualizado em 08/10/2026 · por equipe CAC PRO Brasil

O Decreto 11.615/2023, na redação do Decreto 12.345/2024, exige das entidades de tiro plano de segurança, controle de acesso, acervo organizado e a relação dos atiradores que frequentaram o clube obtida por biometria ou reconhecimento facial. Sem dados organizados e consultáveis de acervo, munição e presença, não há como cumprir a lei.
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Administrar um clube de tiro hoje é administrar uma operação regulada. O decreto impôs às entidades de tiro desportivo exigências de segurança, controle de acesso e prestação de informações à autoridade fiscalizadora.
O atirador precisa estar filiado a uma entidade para ter e manter o CR, e comprova a habitualidade pelos treinos que realiza nela. Ou seja, o clube é a fonte da prova de prática de todos os associados — e também é fiscalizado pela PF.
O que o decreto exige da entidade
- 1Distância de mais de um quilômetro de estabelecimentos de ensino, públicos ou privados.
- 2Horário de funcionamento entre 6h e 22h.
- 3Isolamento acústico, quando aplicável.
- 4Armas e munições sempre desmuniciadas e guardadas, no mínimo, em cofre dentro de sala de alvenaria com controle de acesso.
- 5Plano de segurança com conteúdo mínimo: análise de risco, controle de acesso, videomonitoramento, medidas contra roubos, contingências, controle informatizado de entrada e saída, proteção contra transfixação, certificação de segurança e capacitação da equipe.
- 6Envio periódico à fiscalização do acervo atualizado, das ocorrências de dano, inutilização ou extravio, e da relação de atiradores obtida por biometria ou reconhecimento facial.
Documentos necessários
- Acervo do clube: armas e munições, com entradas e saídas
- Ocorrências de dano, inutilização ou extravio, com o protocolo da comunicação
- Presença dos atiradores por biometria ou reconhecimento facial
- Controle de acesso a áreas e sistemas, e de entrada e saída de pessoas
- Evidências do plano de segurança e das certificações
Erros comuns e como resolver
Liberar a linha de tiro sem verificar o CR
Só atirador com CR pratica tiro com arma de fogo. É proibido o tiro recreativo por pessoas não registradas.
Tratar biometria como dado comum
Biometria é dado pessoal sensível na LGPD: exige finalidade clara, acesso restrito, segurança reforçada e prazo de retenção definido.
Vender munição sem controle
A munição fornecida pelo clube é de uso exclusivo nas dependências, e a compra pelo clube respeita o limite de um doze avos por mês dos limites anuais do atirador, por aluno matriculado.
Ignorar o apostilamento de modalidades
A entidade que oferecer airsoft ou paintball precisa do apostilamento correspondente no CR.
Prazos e valores
- Funcionamento: entre 6h e 22h.
- O decreto deu prazo até 31 de março de 2025 para adequação de itens como isolamento acústico, videomonitoramento, controle informatizado de entrada e saída, proteção contra transfixação e certificação de segurança.
- Faixa de 18 a 25 anos: o atirador usa arma e munição da entidade. Acima de 25, pode usar a da entidade ou a própria.
O que um sistema para clube precisa registrar
Além das exigências do decreto, a boa operação pede: cadastro de associados com CR, atividade apostilada e validade; filiação, mensalidades e anuidades; empréstimo de arma do clube por atirador e por sessão; calendário de treinos e competições com emissão de comprovante para fins de habitualidade; testes de capacidade técnica aplicados; e controle de munição vendida e consumida por associado.
Checklist de um bom sistema: registro de presença integrado ao controle de acesso, acervo e munição com rastreio de movimentação, relatórios prontos para a fiscalização, registro de ocorrências com anexos, permissões por perfil, backup, criptografia e exportação de comprovantes de habitualidade por atirador.
Uma nota de atualização
Este texto se baseia no decreto consolidado até as alterações de dezembro de 2024. A PF e o Exército podem ter detalhado regras por atos infralegais, e a IN 311/2025 mudou procedimentos de fiscalização. Antes de projetar controles, confira os textos vigentes.
Perguntas frequentes
O clube é obrigado a ter reconhecimento facial ou biometria?
O decreto determina que a relação de atiradores e atletas que frequentaram a entidade seja obtida por controle biométrico ou de reconhecimento facial.
Qualquer pessoa pode atirar em clube?
Não. A prática de tiro com arma de fogo nas entidades é restrita a quem tem CR de atirador.
Menor de idade pode treinar?
Só em caráter extraordinário, com autorização judicial, local autorizado pela PF e acompanhamento do responsável.
Posso vender munição a qualquer associado?
A munição fornecida pela entidade é para uso exclusivo nas suas dependências, e a aquisição pelo clube respeita limites por aluno matriculado.
Conclusão
O clube de tiro virou peça central do sistema: é a fonte da prova de habitualidade e um fiscalizado da PF. Quem organiza acervo, presença e ocorrências em um lugar só cumpre a lei sem sufoco.
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